TONI VENTURI
TONI VENTURI
Por Lucas Paraizo
“Estamos Juntos” não é apenas o título do longa-metragem em cartaz dirigido por Toni Venturi. É também sua filosofia de vida. Se a expressão-título remete aos gramados e jogadores de futebol, Venturi pode ser considerado uma espécie de “volante” no jogo do cinema: uma ponte entre o filme de autor e o público. Seus filmes (“Latitude Zero”, “O Velho – A História de Luiz Carlos Prestes”, “Cabra Cega”, entre outros) mesmo sem abdicar pela busca de uma linguagem própria alcançam e emocionam tanto crítica quanto público. Prova de que um não exclui o outro. Em tempos não apenas de novas tecnologias, mas de uma transformação socio-econômica no país (que se reflete nas telas e nas bilheterias), sua posição nos garante uma partida e tanto!
Em suas palavras, o diretor:
Toni Venturi é (mais) um cineasta inquieto, inconformado e intenso que procura fazer filmes brasileiros autênticos e originais que provoquem a imaginação das pessoas e tenham algum significado neste planeta “mass midia” congestionado pela mediocridade, superficialidade e banalidade.
O mais difícil de lançar um filme autoral no Brasil é: Ser canibalizado pela produção arthouse internacional, que admiro, como por exemplo os filmes de Lars Von Triers, Almodovar, Ken Louch, Abbas Kiarostami, Woody Allen…
Não fosse você diretor de cinema, seria: Defunto. Porque seria antropólogo, iria viver na Amazônia para lutar contra as mineradoras e madeireiras e, provavelmente, seria assassinado.
Um filme marcante foi: O Sacrifício, Andrei Tarkovski
Um grande diretor do cinema brasileiro é: Luis Fernando Carvalho, pena que seu meio natural é a TV e não o cinema.
Um grande roteirista do cinema brasileiro é: o roteiro é a área mais carente do setor cinematográfico nacional. Além do Hilton Lacerda, o qual estou apaixonado neste momento (profissionalmente, rsrs), destaco o José Roberto Torero e o Claudinho Galperin.
Um grande ator do cinema brasileiro é: Cinco potencias jovens: Daniel de Oliveira, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Lázaro Ramos e Cauã Reymond.
Uma virtude do cinema brasileiro é: Diversidade.
Um defeito do cinema brasileiro é: Voluntarismo (excesso de paixão e pouca razão).
Para ser diretor de cinema no Brasil é preciso: Ser. E isso dá muito trabalho.
O que falta ao cinema nacional é: Numa ponta um pouco mais de humildade e noutra muito mais recursos para produção e capacitação de quadros profissionais.
Para reciclar o cinema Brasileiro é preciso: Erguer 2.500 salas novas e populares no país
O que falta ao cineasta brasileiro é: Investir mais em dramaturgia e no trabalho com o ator.
Um grande diretor brasileiro desconhecido é: Luiz Rosemberg Filho.
Documentário ou ficção? Cinema.
O que o documentário tem que falta à ficção? Realidade.
O que a ficção tem que falta ao documentário? Sonho.
Como fazer um filme de baixo orçamento? Trabalhando incansavelmente no roteiro e no conceito do filme.
Público ou crítica? Público, já que a inteligência e a análise vertical foram banidas dos jornais em prol dos resenhistas de filmes e os anúncios de bolsas, sapatos, roupas, pernas, seios e grifes de consumo.
Como encontrar uma boa história? Não se acomodando jamais.
O bom filme acontece no momento em que: Você esquece que é um filme e é sugado para dentro da história de forma irreversível.




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